sexta-feira, 29 de março de 2013


TENTATIVAS POÉTICAS

Quase todos estes “versinhos” foram elaborados como réplicas ao meu recente amigo, que se intitula Frassino Machado (PoetAmigo)

A CRISE TEM BELEZA?

Se uma crise tem beleza
Então sou mau sonhador,
Pois só m´assalta a tristeza
E isto sem desprimor
P’ra quem versos m’envia
Cheios de força e amor
Encontrando fantasia
Com vontade e com valor
Com a força e coração
Com ideias e magia…
P’ra casos sem solução.

Bem mentem eles, os tais
Que mandam neste país
Na Tv soltam “postais”
-- “Não está assim porque quis”.
Dizem eles: “foram outros
Que a crise construíram”.
Uns sacanas, uns garotos,
E depois os cus nos viram.
Só sei que desde há décadas
Os proventos se nos evolam
E nós ficando “carecas”
Por todos que nos amolam.

Soubesse eu o que isto dava
Não tinha metido a cabeça,
Por certo ainda estava
À espera de que aconteça.
Podia ser que entretanto,
Gente honesta aparecesse
Tornando o país, portanto,
Algo que apetecesse;
Um país cheio de vida
Com gente honesta a mandar,
Legislação consentida
Para o povo governar.

Se as portas, Abril abriu,
Veio gente p’rás fechar,
Vão p’rá pata que os pariu,
Não estou p’rós aturar.
Só me apetece é cobrir
As mães que vos pariram,
Talvez os que hão-de vir
Façam esquecer que partiram
Os coveiros da Nação,
Que era bela e bem ridente,
Estando agora um buracão
Sem alegria e diferente.

Beleza? Não vejo não!
Vejo vergonha e tristeza
Pelo estado da Nação.
Sem fantasia e beleza.
Façamos pois os possíveis
De correr esta maralha.
Talvez fiquem permissíveis
A ouvir a quem trabalha.
Se entretanto quiserem
Ficar, sendo incompetentes,
Que fiquem, para levarem
Porrada e ficar sem dentes.

A VIDA

(“Poema de pé quebrado” de má rima e pior métrica)

A vida quando vivida
Com gosto, com harmonia
Com fazer e desfazer
Com amor, com valentia
Sem medo e sem destino
Sem vendas e sem temor
Sem nenhum manto divino
Sem donos e sem senhor
Dá-nos descanso tamanho
Dá-nos tremendo vigor
Para aceitar o calor
Da força da natureza
Que em toda sua beleza
Nos conduz, com a certeza
De um belo fim sem temor.
Pena que é que o vil metal,
“Satanás” que o inventou
Pra atazanar nossa vida,
Nos cause tremendo mal
E nos faça em desatino
Alterar nosso destino
E provoque uma corrida
Sem retorno, contra o vento,
Para ganhar o sustento
Para conseguir comida
Para encontrar alento
De dar guarida e sustento
Àqueles que nos são queridos
E sem os quais não vivemos
Pois com eles, nós sabemos,
Que os queremos ao pé de nós
Prá vida ser bem vivida
Sem nos dar um fim atroz.
Bom seria atrás voltar
E nas cavernas viver,
Andar no mato e caçar
Todo o alimento preciso
E viver no paraíso
Sem um senhor a mandar
Que nos tolha a consciência,
Nos obrigue a trabalhar
E nos provoque a demência
Da riqueza procurar.
  
ESPERANÇA

Não quero deixar de ser o rapaz que sempre fui
Quero rir, quero viver, quero ir por aí dizer
A vida é bela é risonha, correndo o tempo e o sonho
Para tal é que estou vivo, para a vida quero trazer
A alegria e a esperança de um percurso que flui
Com bonança e fantasia e de modo não tristonho.

Mas, a desgraça é imposta por gente sem fantasia
Que nos corta a felicidade tirando-nos o ganha-pão
Cortando rente a esperança do raio de sol refulgente
Em nossa vida tão quente, que escaldava o coração.
Que esperam estes tartufos de política tão vazia?
Tirar-nos o gosto da vida? A nós e a toda a gente?

A alegria com que vivi, com gozo e muito amor
Torna-se pesado fardo, transforma-se lentamente
Em algo triste, denso, pesado, incerto e vacilante
Sem gosto, sem esperança, sem sentido e repelente.
Matam em mim a criança, matam em mim o fulgor.
Voltarei a ser capaz de sonhar e ser gigante?

Vou tentar… serei capaz… voltarei a ser menino e tornarei a sorrir.

(O seguinte foi a propósito de um poema que Frassino escreveu para o dia da mulher. Os versos não sei se estão bem, mas é o que sinto.)


Se Camões, nosso poeta, vivesse nestas épocas bem confusas,
Olhasse as nossas mulheres, veria com surpresa e espanto
Que suas Ninfas lindas, amorosas, Tágides emergentes e Lusas,
Continuam belas, refulgentes, esplendorosas e nos dão tanto.
Trabalham, cuidam, parem e amam sendo por vezes obtusas
Ao despotismo estúpido, cruel e marialva, que por enquanto,
Não foi das mentes machistas excluído, extirpado ou apagado,
Causando muita dor aos belos seres que queremos a nosso lado.

Diz Frassino: “Mulher total, senhora de paixões, mulher de lutas”
Capaz de sacrifícios mil, pelo seu amor, por seus filhos e anseios.
Vencedoras da vida, de tormentos, de doenças, guerras e labutas,
Amando, sofrendo, gozando, parindo e criando com seus seios
Os filhos que lhes damos e deixamos a seu cuidado, por astutas
Que são, em formá-los para a vida com zelo, por todos os meios
Que conseguem encontrar na força que dentro têm para dar.
Grandes companheiras. Mulheres nossas que devemos adorar


(Esta foi pelo dia de reis)


Os três reis do Oriente
Tal como os Mosqueteiros
Eram quatro realmente
Mas três foram primeiros

O quarto era Artaban
Seguidor de Zoroastro
Deixou de ser Taliban
Resolveu seguir o Astro

Lá na Pérsia ele vivia
E sem camelo partiu
Pois camelos não havia
E num cavalo saiu

Bom rapaz este reizinho
No caminho ajudou gente
Tratando e dando carinho
Lá seguiu todo contente

Mas por via do destino
O Artaban se atrasou
Bem procurou o menino
O estábulo vazio achou

Pobre rei peregrino
Já à Pérsia não voltou
Para encontrar o menino
Trinta e três anos levou

Encontrou-o finalmente
Numa cruz dependurado
Parece que aquela gente
Não o ouviu com agrado

Pregando de Deus a lei
Pobre de Jesus, coitado
Por se dizer dos Judeus Rei
Acabou cruxificado

E Artaban persistente
Já no Golgata o encontrou
Mas terminou, felizmente
A missão que o lá levou

Foram assim quatro os reis
Guiados por aquela estrela
Que levaram os “anéis”
Numa história qu’é balela

(Frasino Machado versejou sobre as mulheres que usam demasiado metal espetado pelo corpo. Réplica a Frassino sobre “ACESSÓRIOS, SIM OU NÃO”
Com “ piercing” no umbigo
Não gostaria de ter
Uma amante comigo
Nem que fosse só p’ra ver

Se além de ver lhe tocasse
E o “piercing” se abrisse
Talvez picado ficasse
Num sítio que não se visse

Prefiro pois sem metais
Carne rósea bem lisinha
E sendo assim, como mais
Sem usar a camisinha

Porque se camisa uso
E tem “piercing” pelo meio
Acabo ficando confuso
Logo se acaba o recreio

A coisa a borracha pica
Fica aquilo sem efeito
E o trabalho logo fica
Nunca lá muito a preceito

Quero tudo ao natural
Como manda a natureza
Sem camisa e sem metal
Com amor e com beleza.

( A que se segue foi escrita a propósito das magras compras do Natal passado)

Fui á rua pra comprar
Mas o bolso foi vazio
Acabei por só levar
Uma vela sem pavio

A vela assim não dá luz
Não alumia corações
Não tem chama, não seduz
Só nos traz desilusões

Já não há prendas bonitas
Nem nos parece Natal
Vamos como parasitas
Vai vazio nosso bornal

Resta-nos a amizade
Alegria e muito pão
Tempo de austeridade
Só nos parte o coração

Frassino poeta Amigo
Eu verso não sei fazer
Amizade trago comigo
Dá para dar e vender

Que o Gaspar vá bugiar
E o primeiro vá embora
Que o PR vá ao ar
É o que quero pr’ agora

Que melhor ano aí venha
E também novo Primeiro
Mas que não traga a manha
De levar nosso dinheiro

Frassino, és como Aleixo
Agora vou acabar
Abraço  eu aqui deixo
Porque não sei versejar


(Esta foi dedicada ao meu amigo Frassino que versejou sobre Madalena Arrependida)


MARIA

Maria de Magdala, mulher feliz e perfeita
Viu Jesus e, a paixão em seu peito floresceu
Com desmedida força. E Jesus correspondeu
Também. Enamorado, seu amor não enjeita.

Seguidora de seu Mestre, cuja palavra venera
Dá-lhe amor, carinho, apoio, força e vontade
De levar aos seguidores, discurso que regenera
Os homens, os eleva e lhes dá a majestade.

Mas seus discípulos machistas, ocos e ciumentos
Não aprovam tal amor, que lhes rouba os momentos,
Que consideram só seus, únicos e exclusivos.

Mais tarde, Imperadores misóginos, donos da igreja,
Maria prostituta tornam, inventando povo que apedreja
Aquela que foi amor dele, mas não agradou aos altivos.

(Soneto inspirado em Dan Brown “In Código Da Vince”)                   


quarta-feira, 6 de março de 2013

Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage

Pela primeira vez vou postar aqui, neste meu “blog”, algo que não é de minha autoria. O meu camarada e amigo António José Barradas Barroso, era conhecido nos Pupilos do Exército, onde fomos alunos contemporâneos, pela acunha de “Tiago”. De tal modo este “nome-alcunha” lhe ficou entranhado, que ainda hoje o usa como pseudónimo e até a sua mulher o trata carinhosamente por Tiago.
O meu amigo Tiago é poeta e dos bons. Em Setembro último foi o vencedor do prémio literário internacional Manuel Maria Barbosa do Bocage. A organização deste prémio, editou em livro os trabalhos apresentados pelo meu amigo. Da apreciação deste trabalho pelo júri, aqui transcrevo uma pequena parte e dois dos seus sonetos:
“…
O tema por sua vez é-nos muito querido e é a razão geral deste prémio Bocage, que já vai na sua XIV edição. Aborda-se a obra de Bocage procurando excertos dos seus poemas, retirando do soneto os dois tercetos e destes escolhendo o verso de fecho do último terceto, verso que sabemos de capital importância e que no soneto faz a síntese do mesmo.

O autor pega nesse verso e transpõe-no como motivo iniciando outro soneto da sua autoria. Depois toma as rédeas e cavalga na imaginação, discorre sobre o estado de espírito de Bocage, compondo-o com a habilidade e saber de tudo o que o homem é feito na sua circunstância.
…”

                          (...)
                          Aqui onde o que o peito abrange e sente,
                          Na mais ampla expressão acha tristeza,
                          Negra ideia do abismo assombra a mente.

                          Difere acaso de infernal tristeza
                          Não ver terra, nem céu, nem mar, nem gente,
                          Ser vivo, e não gozar da natureza?
                                                                                 Bocage

                          Ser vivo e não gozar da natureza?
                          Pois, na prisão, o poeta se lamenta
                          Daquela solidão que o atormenta,
                          Daquele afastamento, e da tristeza.

                          Sentir, no peito, a perda da beleza
                          Na lúgubre prisão que o apoquenta,
                          Sem poder ver o céu que, a alma, sustenta,
                          Ou esse mar que brama com rudeza.

                          É perda atroz que nem sequer a gente
                          Que passa, que se toca e que se sente,
                          Se tem, para esquecer a solidão.

                          Depois, há uma quebra de amizade,
                          A mágoa por se não ter liberdade,
                          Amarrado à clausura da prisão.
                                                                              Tiago

[ ...... ]

                                 Devoto incensador de mil deidades
                                 (Digo, de moças mil) num só momento,
                                 E somente no altar amando os frades,

                                 Eis Bocage, em quem luz algum talento,
                                 Saíram dele mesmo estas verdades,
                                 Num dia em que se achou mais pachorrento.
                                                                               Bocage

                                 Num dia em que se achou mais pachorrento,
                                 Bocage, em verso, fez o auto retrato
                                 Sem nada pôr, de si, a bom recato,
                                 Apenas com verdade e sentimento.

                                 E a descrição, guardada pelo vento,
                                 Nos versos que editou, com fino trato,
                                 Se o descrevem fiel ao celibato,
                                 Tem deidades, porém no pensamento.

                                 Confessa ele, de início, que é meão,
                                 Que segue mais a fúria que a razão,
                                 Que só perante as moças se enternece.

                                 Se, na biografia que ele traça,
                                 Existe algum humor e certa graça,
                                 Também algum talento reconhece.
                                                                               Tiago

Estes sonetos ficam aqui ao dispor dos meus amigos e também dos componentes da “Tertúlia Poética Ao Encontro de Bocage” que, o meu amigo Francisco de Assis Machado “Frassino” fará o favor de divulgar. Vou tentar colocar um “link” desta página no “Facebook”.