TENTATIVAS POÉTICAS
Quase todos estes “versinhos” foram
elaborados como réplicas ao meu recente amigo, que se intitula Frassino Machado
(PoetAmigo)
A
CRISE TEM BELEZA?
Se
uma crise tem beleza
Então
sou mau sonhador,
Pois
só m´assalta a tristeza
E
isto sem desprimor
P’ra
quem versos m’envia
Cheios
de força e amor
Encontrando
fantasia
Com
vontade e com valor
Com
a força e coração
Com
ideias e magia…
P’ra
casos sem solução.
Bem
mentem eles, os tais
Que
mandam neste país
Na
Tv soltam “postais”
--
“Não está assim porque quis”.
Dizem
eles: “foram outros
Que
a crise construíram”.
Uns
sacanas, uns garotos,
E
depois os cus nos viram.
Só
sei que desde há décadas
Os
proventos se nos evolam
E
nós ficando “carecas”
Por
todos que nos amolam.
Soubesse
eu o que isto dava
Não
tinha metido a cabeça,
Por
certo ainda estava
À
espera de que aconteça.
Podia
ser que entretanto,
Gente
honesta aparecesse
Tornando
o país, portanto,
Algo
que apetecesse;
Um
país cheio de vida
Com
gente honesta a mandar,
Legislação
consentida
Para
o povo governar.
Se
as portas, Abril abriu,
Veio
gente p’rás fechar,
Vão
p’rá pata que os pariu,
Não
estou p’rós aturar.
Só
me apetece é cobrir
As
mães que vos pariram,
Talvez
os que hão-de vir
Façam
esquecer que partiram
Os
coveiros da Nação,
Que
era bela e bem ridente,
Estando
agora um buracão
Sem
alegria e diferente.
Beleza?
Não vejo não!
Vejo
vergonha e tristeza
Pelo
estado da Nação.
Sem
fantasia e beleza.
Façamos
pois os possíveis
De
correr esta maralha.
Talvez
fiquem permissíveis
A
ouvir a quem trabalha.
Se
entretanto quiserem
Ficar,
sendo incompetentes,
Que
fiquem, para levarem
Porrada
e ficar sem dentes.
A VIDA
(“Poema de pé quebrado” de má rima e pior métrica)
A vida quando vivida
Com gosto, com harmonia
Com fazer e desfazer
Com amor, com valentia
Sem medo e sem destino
Sem vendas e sem temor
Sem nenhum manto divino
Sem donos e sem senhor
Dá-nos descanso tamanho
Dá-nos tremendo vigor
Para aceitar o calor
Da força da natureza
Que em toda sua beleza
Nos conduz, com a certeza
De um belo fim sem temor.
Pena que é que o vil metal,
“Satanás” que o inventou
Pra atazanar nossa vida,
Nos cause tremendo mal
E nos faça em desatino
Alterar nosso destino
E provoque uma corrida
Sem retorno, contra o vento,
Para ganhar o sustento
Para conseguir comida
Para encontrar alento
De dar guarida e sustento
Àqueles que nos são queridos
E sem os quais não vivemos
Pois com eles, nós sabemos,
Que os queremos ao pé de nós
Prá vida ser bem vivida
Sem nos dar um fim atroz.
Bom seria atrás voltar
E nas cavernas viver,
Andar no mato e caçar
Todo o alimento preciso
E viver no paraíso
Sem um senhor a mandar
Que nos tolha a consciência,
Nos obrigue a trabalhar
E nos provoque a demência
Da riqueza procurar.
ESPERANÇA
Não quero deixar de ser o rapaz que sempre fui
Quero rir, quero viver, quero ir por aí dizer
A vida é bela é risonha, correndo o tempo e o sonho
Para tal é que estou vivo, para a vida quero trazer
A alegria e a esperança de um percurso que flui
Com bonança e fantasia e de modo não tristonho.
Mas, a desgraça é imposta por gente sem fantasia
Que nos corta a felicidade tirando-nos o ganha-pão
Cortando rente a esperança do raio de sol refulgente
Em nossa vida tão quente, que escaldava o coração.
Que esperam estes tartufos de política tão vazia?
Tirar-nos o gosto da vida? A nós e a toda a gente?
A alegria com que vivi, com gozo e muito amor
Torna-se pesado fardo, transforma-se lentamente
Em algo triste, denso, pesado, incerto e vacilante
Sem gosto, sem esperança, sem sentido e repelente.
Matam em mim a criança, matam em mim o fulgor.
Voltarei a ser capaz de sonhar e ser gigante?
Vou tentar… serei capaz… voltarei a ser menino e tornarei
a sorrir.
(O
seguinte foi a propósito de um poema que Frassino escreveu para o dia da
mulher. Os versos não sei se estão bem, mas é o que sinto.)
Se
Camões, nosso poeta, vivesse nestas épocas bem confusas,
Olhasse
as nossas mulheres, veria com surpresa e espanto
Que
suas Ninfas lindas, amorosas, Tágides emergentes e Lusas,
Continuam
belas, refulgentes, esplendorosas e nos dão tanto.
Trabalham,
cuidam, parem e amam sendo por vezes obtusas
Ao
despotismo estúpido, cruel e marialva, que por enquanto,
Não
foi das mentes machistas excluído, extirpado ou apagado,
Causando
muita dor aos belos seres que queremos a nosso lado.
Diz
Frassino: “Mulher total, senhora de paixões, mulher de lutas”
Capaz
de sacrifícios mil, pelo seu amor, por seus filhos e anseios.
Vencedoras
da vida, de tormentos, de doenças, guerras e labutas,
Amando,
sofrendo, gozando, parindo e criando com seus seios
Os
filhos que lhes damos e deixamos a seu cuidado, por astutas
Que
são, em formá-los para a vida com zelo, por todos os meios
Que
conseguem encontrar na força que dentro têm para dar.
Grandes
companheiras. Mulheres nossas que devemos adorar
(Esta
foi pelo dia de reis)
Os
três reis do Oriente
Tal
como os Mosqueteiros
Eram
quatro realmente
Mas
três foram primeiros
O
quarto era Artaban
Seguidor
de Zoroastro
Deixou
de ser Taliban
Resolveu
seguir o Astro
Lá
na Pérsia ele vivia
E
sem camelo partiu
Pois
camelos não havia
E
num cavalo saiu
Bom
rapaz este reizinho
No
caminho ajudou gente
Tratando
e dando carinho
Lá
seguiu todo contente
Mas
por via do destino
O
Artaban se atrasou
Bem
procurou o menino
O
estábulo vazio achou
Pobre
rei peregrino
Já
à Pérsia não voltou
Para
encontrar o menino
Trinta
e três anos levou
Encontrou-o
finalmente
Numa
cruz dependurado
Parece
que aquela gente
Não
o ouviu com agrado
Pregando
de Deus a lei
Pobre
de Jesus, coitado
Por
se dizer dos Judeus Rei
Acabou
cruxificado
E
Artaban persistente
Já
no Golgata o encontrou
Mas
terminou, felizmente
A
missão que o lá levou
Foram
assim quatro os reis
Guiados
por aquela estrela
Que
levaram os “anéis”
Numa
história qu’é balela
(Frasino Machado versejou sobre as mulheres que usam
demasiado metal espetado pelo corpo. Réplica a Frassino sobre “ACESSÓRIOS,
SIM OU NÃO”
Com
“ piercing” no umbigo
Não
gostaria de ter
Uma
amante comigo
Nem
que fosse só p’ra ver
Se
além de ver lhe tocasse
E
o “piercing” se abrisse
Talvez
picado ficasse
Num
sítio que não se visse
Prefiro
pois sem metais
Carne
rósea bem lisinha
E
sendo assim, como mais
Sem
usar a camisinha
Porque
se camisa uso
E
tem “piercing” pelo meio
Acabo
ficando confuso
Logo
se acaba o recreio
A
coisa a borracha pica
Fica
aquilo sem efeito
E
o trabalho logo fica
Nunca
lá muito a preceito
Quero
tudo ao natural
Como
manda a natureza
Sem
camisa e sem metal
Com
amor e com beleza.
(
A que se segue foi escrita a propósito das magras compras do Natal passado)
Fui
á rua pra comprar
Mas
o bolso foi vazio
Acabei
por só levar
Uma
vela sem pavio
A
vela assim não dá luz
Não
alumia corações
Não
tem chama, não seduz
Só
nos traz desilusões
Já
não há prendas bonitas
Nem
nos parece Natal
Vamos
como parasitas
Vai
vazio nosso bornal
Resta-nos
a amizade
Alegria
e muito pão
Tempo
de austeridade
Só
nos parte o coração
Frassino
poeta Amigo
Eu
verso não sei fazer
Amizade
trago comigo
Dá
para dar e vender
Que
o Gaspar vá bugiar
E
o primeiro vá embora
Que
o PR vá ao ar
É
o que quero pr’ agora
Que
melhor ano aí venha
E
também novo Primeiro
Mas
que não traga a manha
De
levar nosso dinheiro
Frassino,
és como Aleixo
Agora
vou acabar
Abraço eu aqui deixo
Porque
não sei versejar
(Esta
foi dedicada ao meu amigo Frassino que versejou sobre Madalena Arrependida)
MARIA
Maria
de Magdala, mulher feliz e perfeita
Viu
Jesus e, a paixão em seu peito floresceu
Com
desmedida força. E Jesus correspondeu
Também.
Enamorado, seu amor não enjeita.
Seguidora
de seu Mestre, cuja palavra venera
Dá-lhe
amor, carinho, apoio, força e vontade
De
levar aos seguidores, discurso que regenera
Os
homens, os eleva e lhes dá a majestade.
Mas
seus discípulos machistas, ocos e ciumentos
Não
aprovam tal amor, que lhes rouba os momentos,
Que
consideram só seus, únicos e exclusivos.
Mais
tarde, Imperadores misóginos, donos da igreja,
Maria
prostituta tornam, inventando povo que apedreja
Aquela
que foi amor dele, mas não agradou aos altivos.
(Soneto
inspirado em Dan Brown “In Código Da Vince”)
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