2014 chegou, tempo de chuva, dia feio, nada mudou, a terra
limitou-se a cumprir mais um movimento de rotação. A única coisa que muda é a
folha do calendário. Rasga-se a velha e coloca-se a nova. Nos tempos que correm
já nem isso é necessário. Liga-se o computador, o portátil, o Ipad, o telemóvel
e já lá está o novo dia e novo ano. Quarta-feira, 01 de Janeiro de 2014.
Mas, quer queiramos ou não, na nossa mente, um desejo muito
ténue de melhores tempos. Talvez os nossos políticos se cansem de estar no
poder, talvez se arrependam da frieza com que tratam as pessoas, talvez tomem
consciência que o Estado somos nós e não só eles. Se tal acontecesse, podiam
ir-se embora, só tinham essa solução. Se ficassem, mesmo com nova mentalidade,
ninguém acreditaria, nem eles próprios pois retornariam às indignidades.
Também, cá no íntimo, formulamos o desejo que os nossos empresários e
investidores, tenham o sonho de fazer crescer a nossa economia em vez de,
acordados, sem sonhos, mas com ganância, continuarem a explorar tudo e todos
apenas com o sentido no lucro fácil para acumularem fortunas e bem estar para
si e para os seus, que já não vão conseguir gastar e usufruir no curto período
das suas miseráveis vidas.
Queiramos ou não, pensamos nisso no início de um novo ano.
Como se realmente algo de novo começasse, como se o tempo anterior se apagasse e
o novo fosse algo que se materialize ou se possa agarrar e fazer correr a nosso
gosto. Mas a terra continua rodar em 1 de janeiro como rodava em 31 de
Dezembro.
Hoje de manhã, perguntei à minha companheira de passeio, a
cadelita aqui de um vizinho, se tinha passado bem o ano. Olhou para mim, com “cara”
de parva, como quem pergunta: “de que é que este gajo está a falar?”. Pois é,
os outros animais não medem o tempo, para eles a vida é sempre a mesma
procurando sobreviver num ciclo natural. Só nós, antropoides ditos evoluídos, ah,
ah, ah, não sei em quê, só fazemos asneiras procurando passar por cima de tudo
e todos para obtermos bens materiais, mas dizia eu, só nós construímos baias materiais
e virtuais que nos constrangem e oprimem. Era bom que fossemos totalmente
livres. Comer quando apetecesse, dormir quando apetecesse, fazer amor quando
apetecesse, vestir quando apetecesse, andar nu se apetecesse, enfim… liberdade
total.
Claro que isto é parvoíce utópica, mas era giro… eu gostava,
principalmente na África tropical por causa do frio.
Aqui, nesta fraca dita civilização, tenho de limitar-me a
viver segundo as tais baias e manter a força para, com a minha vontade,
conseguir fazer algo para mudar a vida, construindo aquilo que pretendo para
mim e para os outros.
Vou, portanto, deixar-me de lamúrias e continuar a fazer o
que tenho feito até aqui. Construir amizades, manter e cultivar as antigas, dar
algum contributo a boas causas, continuar a aprender e a querer saber, amar os
meus, passear com a Nina e tentar viver com o pouco que o tal estado de coisas
me permite receber.
Na continuação do tempo apenas com numeração diferente,
tenhamos esperança em “tempos” melhores”.
Oh Diabo!...
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