quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Iliteracia, ignorância e incultura



Iliteracia = incapacidade para perceber ou interpretar o que é lido. Não, isto não tenho. Leio bem, depressa e não me escapa nada.  Ignorância = Estado de quem ignora. Bem! Não percebo nada de Física Nuclear, de culinária, altas matemáticas (já não passo da fórmula resolvente das equações do 2º grau), de puericultura e da cultura da batata. Sou ignorante. Incultura = Estado de inculto. Cultura é conhecimento. Falta de cultura é falta de conhecimento. Sou inculto. Nunca li a Ilíada, o Homero que me perdoe (pelo menos sei quem foi o autor). Há tanta coisa que não conheço, como por exemplo a forma como se reproduzem os protozoários, etc.
Costumo dizer; aquilo que não sei dava para fazer uma enciclopédia. Diria muito mais, umas três enciclopédias, mas gostava de saber e até procuro saber, só que a idade já não ajuda e as bases também faltam.
Isto vem a propósito daquelas pessoas que tudo sabem e sobre tudo opinam com uma prosápia tremenda, dizendo normalmente uma súcia de disparates, mas absolutamente convencidos que são os maiores e mais sabedores. Mesmo quando apanhados em incorrecções, nunca dão o braço a torcer e acabam sempre justificando a asneira com maior asneira. Ninguém é obrigado a saber tudo e saber tudo é completamente impossível a qualquer ser humano. Normalmente um indivíduo é considerado culto, quando consegue abarcar vários assuntos e falar sobre eles com um certo à-vontade, mas não tendo a veleidade do conhecimento total.
Quem não sabe cala-se e ouve. Para a próxima já sabe mais.
Não há nada pior que discutir um assunto com alguém teimoso que, não sabendo nada de nada, se arma em sabedor insistindo na asneira. Recordo sempre aquela velha anedota da senhora que quando lhe perguntaram se conhecia Chopin, respondeu que conhecia muito bem pois viajava com ela todas as manhãs no autocarro das 9. Não custava nada ter dito simplesmente não. Mas hoje, as pessoas querem parecer cultas e ricas, quando muitas vezes não passam de ignorantes e pobres. Parecer culto fica bem e passar por rico ainda melhor. Claro que acabam por ser desmascarados e a realidade fica bem pior.

Hoje, uma grande percentagem dos portugueses é iliterata, não porque não saiba ler, mas pela incapacidade de perceber aquilo que lê. A maioria é incapaz de preencher um formulário sem ajuda, porque lê-o mas não o interpreta. Os jovens, no secundário, têm dificuldades em resolver problemas por má interpretação dos enunciados. Não se consegue raciocinar sobre um problema se não o compreendermos aquilo que se pretende com a pergunta. Enfim, continuamos a querer um ensino obrigatório de 12 anos quando a maioria deveria sair ao fim de 9 e já é muito porque anda por ali a mastigar sem nada aprender e a gastar do erário. Aprendam pois bem português e saibam interpretar textos. Aprendam matemática porque essa está em tudo e serve para resolver quase tudo. Depois leiam muito e metam o nariz em tudo. Quando não souberem algo procurem vir a saber. É para isso que servem os dicionários e as enciclopédias. Hoje até têm a Net que, apesar de lá ter muita porcaria, também ensina muita coisa. E sejam humildes, quando não souberem não armem em espertos sabedores. Acabam por mostrar a vossa ignorância o que é bem pior. Ah! E façam mais, não mandem calar aqueles que falam do que sabem, pois só mostram que querem continuar a ser ignorantes.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

TRAGÉDIA NO MECO


Ainda ninguém sabe o que se passou. Não há, por enquanto, testemunhas alheias à tragédia. A única testemunha fez parte dela e salvou-se com ajuda de pessoal dos bombeiros e polícia marítima. A judiciária tem o processo em investigação e segredo de justiça, mas o povo português já sabe tudo. Foi a praxe académica e aquele Dux é um assassino. Até pode ser que seja tudo assim ou pior ainda, mas também pode ser que não seja. Mas os portugueses já fizeram o julgamento. Foi o Dux e a culpada de tudo é a praxe académica. Como é que isto é possível?
Os nossos Media já sabem tudo e têm tudo visto e previsto. A campanha foi feita e estudada  para vender papel e tempo de antena. O governo aproveitou, pois assim o povo esquece-se das coisas realmente más que por aí andam e, às quais quanto mais fugir e não responder melhor.
 A TVI chegou ao ponto de fazer uma reconstituição de uma praxe baseada num escrito de Fernando Pessoa, de um ritual demoníaco, aproveitada para praxar caloiros. Só que colocou o caso de tal modo que, quem viu sem pensar, pode ter tomado aquilo como realidade do que se passou. E se repararem, foi feito com esse intuito. A histeria sobre o caso leva ministros a reunirem-se com direcções de universidades e associações académicas. E depois de tudo isto eu pergunto: que se passou realmente? Ninguém sabe.
As famílias querem responsáveis, o governo anda a aproveitar-se, os media vendem papel e tempo de antena e os portugueses histericamente alarmados, já fizeram o julgamento.
Responsabilizar a universidade? Como, se as praxes, conselhos de praxe e quaisquer outras organizações de praxe e seus membros, são completamente independentes da organização universidade? Como, se até aqui havia e continuam a haver códigos de silêncio sobre o assunto? Como se pode querer que reitores, directores, conselhos e outros órgãos, saibam o que se passa fora, ou mesmo dentro, das universidades, se os assuntos nem lhes chegam? Só se houver vigilantes, tipo agente secreto, que “bufem” para as direcções. E mesmo que “bufem”, quem vai acusar quem? Proibir as praxes? Nem pensem. Nada se resolve pura e simplesmente com proibições. Se assim fosse não havia drogados. Veja-se o código da estrada, montes de proibições e todos os dias há mortes por desrespeito às regras. Há praxes estúpidas e perigosas? Claro que há. E há, porque infelizmente há também muita gente estúpida e prepotente no meio académico. Mas se as praxes ultrapassarem aquilo que se considere (no meio) aceitável, e entrar no campo do perigoso e do crime, há leis no país para julgar e punir esses actos se tiverem coragem de os denunciar.
As vítimas da tragédia eram todas adultas, nenhum era caloiro e todos, segundo consta, eram membros de conselhos de praxe já com títulos atribuídos. Se estavam em algum ritual, só o sobrevivente poderá esclarecer. Se era um ritual obrigatório e os colocou em perigo, sabiam a que estavam sujeitos e eram voluntários. Correu mal? Correu e muito. Foi propositado para lhes incutir sentimento de obediência? Talvez. Mas continuavam a submeter-se voluntariamente e sabiam para o que iam. Pena foi não terem respeitado o mar. Esse não perdoa e, mesmo sem rituais satânicos, leva muita gente para a morte. Se houver crime, que seja julgado e punido. Não arranjem é bodes expiatórios.


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Reflexões diabólicas

Esta foi escrita para mim. Gosto de me divertir... dá-me muito gozo.

Que gaita! Todos me chateiam, todos me invectivam, passam a vida a clamar, quando algo corre mal, “ OH! Diabo!” “Diabo do homem!” “Diabo do cão!” “Diabos me levem!”, como se isso se fizesse a pedido, quem sabe quem levar sou eu, eu é que pondero a qualidade das vidas que cada um viveu e estabeleço quem vem para baixo. Deixem-me em paz! Com tanto chamamento ainda acabo por ir para o diabo. Lá estou eu, até já me influenciaram e invectivo-me a mim próprio, desculpem o pleonasmo. Além disso compararem-me com um homem ou um cão, isso não se faz, eu sou um ser, maléfico é certo, mas um ser em que muitos acreditam e de quem fogem como ó diabo. Bolas! Lá estou eu outra vez.
O Diabo, eu, existe. Sou o contrário do Bem, represento o mal, a vida é feita de dualidades; machos e fêmeas, Yin e Yang, céu e Inferno, bem e mal, já lá dizia o Maniqueu. Represento o contrário do bem, sou o inimigo, o adversário, “Ashatan”, por isso Satanás. Se não houvesse bem não se saberia o que é mal, mas o contrário também é verdadeiro, se só houvesse mal esse mal poderia ser o bem ou qualquer outra coisa. Se eu não existisse, as pobres “almas” pecadoras não teriam onde ficar, assim dou-lhes acolhimento e com isso acabo por praticar o bem, lagarto, lagarto, lagarto e eu até sou do Benfica, vejam-se os “Red Devils”. Mas hão-de concordar que o local onde eu domino, o inferno, até um sítio aprazível, quentinho, divertido, fazemos umas maldades às ”almas” pecadoras, em contraste com o local onde o meu opositor coloca as “almas” bem comportadas, que tristeza, tudo branco, que horror, com umas nuvens cheias de batas brancas, com liras nas mãos, sem tocarem nada de jeito, parece que “almas” de maestros não vão para lá, pois eles além de uns grandes chatos para os músicos, gostam de levar uma vidinha cheia de coisas boas e não promovem a caridade nem boas acções. As “almas” fêmeas também são feias como ó diabo. Gaita, não consigo livrar-me disto. Cruzes, canhoto. Ao menos aqui, estão cá todas as boazonas que levaram uma vida cheia do bom e do melhor e também do pior. Agora isto já está cheio demais, pois ao acabarem com o purgatório muitas “almas” ainda não estavam prontas para subirem e tiveram de vir até aqui e eu é que me lixo com uma sobrelotação dos demónios. Gaita! Tenho de ver se acabo com esta mania pois ainda me vulgarizo em demasia e perco o poder por as pessoas deixarem de ter medo e acabarem por rir da minha figura.
E já o Eco dizia naquele livro com nome de flor:

“O riso distrai, por alguns instantes, o aldeão do medo. Mas a lei é imposta pelo medo, cujo nome verdadeiro é temor a Deus [...] E o que seremos nós, criaturas pecadoras, sem o medo, talvez o mais benéfico e afectuoso dos dons divinos?”  O riso, nesse sentido, seria contra a Igreja e contra Deus. Logo, numa associação rápida, a favor do Diabo. A teologia cristã, que dividiu o mundo entre o Bem e o Mal, traduziu no pensamento sobre o riso essa oposição fundamental: diabólicas seriam todas as formas do riso desafiador ligadas ao mundo terreno. Riso imoderado, obsceno, festivo, jocoso, zombador, paródico e rebaixador.” 

Estão a ver, ainda acabo ridicularizado e perco o poder sobre as “almas” e depois ninguém quer vir e começam todos a portarem-se bem e perco clientela. Ficará este inferno uma tristeza e o mundo lá por cima ainda pior por demasiado bem que lá se praticará. Torna-se aquilo uma sensaboria sem umas traições, sem bebedeiras e estroinices, sem uma gajas malucas para se darem umas boas cambalhotas, sem políticos, esses fazedores de maldades que se constituem ladrões e vigaristas para conseguirem viver com os proventos que nos são roubados. Assim, ladrão por ladrão que o seja o cidadão vulgar e não os políticos que já não precisam por entretanto terem auferido do que comeram à mesa do orçamento.
Tenho pois que me deixar de sornices e recomeçar a trabalhar para que os humanos não se tornem bons e que continuem a codilharem-se uns aos outros, fazendo umas guerras para poderem sacar os recursos naturais que os outros têm e não aproveitam. Ao mesmo tempo fazer com que também continuem crentes nos seus vários deuses, e em quantos mais melhor, para conflituarem uns com os outros.
Quem acredita em deuses também acredita em fantasmas e em bruxedos, é supersticioso e acaba por atraiçoar o seu deus e vem cá parar direitinho.
Deixem-me viver descansado e não chamem tanto por mim, pois não posso acudir a tudo, isto por aqui já está inflacionado de “almas” penadas.
Estou um pouco cansado, e se me chateiam muito peço a reforma, mas a idade para tal vai aumentando e nunca mais me safo. Penso que o melhor é começar a fazer o bem e voltar a ser anjo não tresmalhado e até pode ser que o patrão me receba de novo e me tire aqui das profundezas. Gostava de voltar a ser anjinho e até podia ser um da guarda e tomar conta de alguém lá de cima, talvez até daquele que anda por lá a lixar os portugueses, para que nada de maléfico lhe aconteça, lagarto, lagarto , lagarto e eu que sou do BENFICA…

Inté (estes brasileirismos...) e vão pr'ó diabo que os carregue.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Quarta-feira, 01 de Janeiro de 2014.



2014 chegou, tempo de chuva, dia feio, nada mudou, a terra limitou-se a cumprir mais um movimento de rotação. A única coisa que muda é a folha do calendário. Rasga-se a velha e coloca-se a nova. Nos tempos que correm já nem isso é necessário. Liga-se o computador, o portátil, o Ipad, o telemóvel e já lá está o novo dia e novo ano. Quarta-feira, 01 de Janeiro de 2014.
Mas, quer queiramos ou não, na nossa mente, um desejo muito ténue de melhores tempos. Talvez os nossos políticos se cansem de estar no poder, talvez se arrependam da frieza com que tratam as pessoas, talvez tomem consciência que o Estado somos nós e não só eles. Se tal acontecesse, podiam ir-se embora, só tinham essa solução. Se ficassem, mesmo com nova mentalidade, ninguém acreditaria, nem eles próprios pois retornariam às indignidades. Também, cá no íntimo, formulamos o desejo que os nossos empresários e investidores, tenham o sonho de fazer crescer a nossa economia em vez de, acordados, sem sonhos, mas com ganância, continuarem a explorar tudo e todos apenas com o sentido no lucro fácil para acumularem fortunas e bem estar para si e para os seus, que já não vão conseguir gastar e usufruir no curto período das suas miseráveis vidas.
Queiramos ou não, pensamos nisso no início de um novo ano. Como se realmente algo de novo começasse, como se o tempo anterior se apagasse e o novo fosse algo que se materialize ou se possa agarrar e fazer correr a nosso gosto. Mas a terra continua rodar em 1 de janeiro como rodava em 31 de Dezembro.
Hoje de manhã, perguntei à minha companheira de passeio, a cadelita aqui de um vizinho, se tinha passado bem o ano. Olhou para mim, com “cara” de parva, como quem pergunta: “de que é que este gajo está a falar?”. Pois é, os outros animais não medem o tempo, para eles a vida é sempre a mesma procurando sobreviver num ciclo natural. Só nós, antropoides ditos evoluídos, ah, ah, ah, não sei em quê, só fazemos asneiras procurando passar por cima de tudo e todos para obtermos bens materiais, mas dizia eu, só nós construímos baias materiais e virtuais que nos constrangem e oprimem. Era bom que fossemos totalmente livres. Comer quando apetecesse, dormir quando apetecesse, fazer amor quando apetecesse, vestir quando apetecesse, andar nu se apetecesse, enfim… liberdade total.
Claro que isto é parvoíce utópica, mas era giro… eu gostava, principalmente na África tropical por causa do frio.
Aqui, nesta fraca dita civilização, tenho de limitar-me a viver segundo as tais baias e manter a força para, com a minha vontade, conseguir fazer algo para mudar a vida, construindo aquilo que pretendo para mim e para os outros.
Vou, portanto, deixar-me de lamúrias e continuar a fazer o que tenho feito até aqui. Construir amizades, manter e cultivar as antigas, dar algum contributo a boas causas, continuar a aprender e a querer saber, amar os meus, passear com a Nina e tentar viver com o pouco que o tal estado de coisas me permite receber.

Na continuação do tempo apenas com numeração diferente, tenhamos esperança em “tempos” melhores”.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Reflexões


Percorro as ruas do meu bairro, mãos nos bolsos, pensamento na porcaria da vida, tentando encontrar uma razão para a existência, não a vejo, não a sinto, realizações já passaram, ficaram apenas algumas situações de utilidade, de ajuda à família, aos amigos, vontade de fazer algo, transmitir algo e não encontro o quê. As folhas mortas nos passeios levam-me a pensar em pássaros depenados. Olho as árvores e vejo-as nuas, semi-despidas, sem graça.  É o inverno, é isso, hoje é o dia 21 de Dezembro. Lembro que a partir daqui o sol vai ganhar à noite e começar a crescer em relação à escuridão. Os antigos festejavam este dia como o dia da deusa da fertilidade. Era o solstício, mais tarde substituído pelo Natal para mudar um costume pagão para outro cristão. Fertilidade… sinónimo de crescimento, progresso, renovação, aquilo que não vejo para o meu país, para  a minha vida, para a do meu filho. Pergunto-me o que terá este povo, que sendo, estoico, trabalhador e aventureiro, nunca foi governado pelos seus iguais, mas sempre por aqueles que se orientaram e se governaram a si próprios não garantindo aos seus pares aquilo que obtiveram para si. Pergunto-me o porquê dos seres humanos desejarem tanto a obtenção de bens materiais em excesso, quando era tão fácil viver com pouco, bastando alimentação, saúde, habitação e educação. Com isso poderíamos trabalhar e obter recursos para distribuir por todos. Claro que isto é utópico pois quem recebe sem trabalhar depressa se habitua e nada fará para contribuir para os outros. Mas os chineses dizem: “ se um homem tiver fome, não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar”. Podíamos pois dedicar os nossos esforços a ensinar os outros a “pescar”. Quem não quisesse aprender teria de se sujeitar às profissões mais difíceis e menos remuneradas. Construímos uma sociedade de consumo, conseguimos bens que não nos faziam falta nenhuma, deitámos fora objectos necessários e úteis, só para os trocarmos por outros mais modernos, mais bonitos, com melhor “design”. Pois, mas duram menos do que os outros, já foram concebidos com um prazo de duração mínimo para que se deitem fora e se comprem novos,. porque o capitalismo criou o consumismo e assim é que tem de ser para que as pessoas enriqueçam e possam depois comprar mais coisas de que não necessitam, mas é bom viver bem, mostrar aos amigos a piscina, o “jacuzzi” o BMW o Mercedes e desses bens falar nas festas e reuniões com aqueles que são apenas aproveitadores daquilo que os outros têm e se encostam, fazendo-se passar por aquilo que nunca conseguiram ser mas gostariam. Vão-se esgotando os recursos do planeta, vão se criando pobres e miseráveis vivendo em regiões inóspitas que os matam de fome, sede e doenças e nada fazemos para lhes mudar a vida, antes pelo contrário, sugamos-lhe os recursos que eles não conseguem explorar, não lhes pagando o suficiente para lhes mudar as vidas.
Páro, aproveitando para afagar um cachorro que pacientemente espera o dono(a) à porta do supermercado e penso que bom seria sermos como os outros animais, que não precisam de explorar os seus iguais, limitando-se a seguir os ditames da natureza que sabe muito bem controlar o meio ambiente.
Vou para casa, o natal aproxima-se, temos de jantar com a família e distribuir prendas aos putos que não lhes vão ligar, por calças e camisolas não substituírem as consolas e “Ipod´s” que gostariam de ter para também mostrarem na escola que são ricos, modernos e estúpidos.

Será que me vou aguentar? Vou tentar…

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A Nudez


Os homens, mesmo sem o admitirem, quando se cruzam nus ou até nas casas de banho públicas, têm sempre tendência em dar uma mirada para as áreas que normalmente não andam à mostra. Deve vir talvez da antiguidade esta tendência de olhar o armamento do outro, pois poderia tornar-se um contendor e poderem vir a terçar armas. Estas miradas são normalmente rápidas e disfarçadas não vá o outro, ou os outros, tomarem isso como qualquer forma de apreciação menos máscula. O certo é que, mesmo que o neguem, a maioria o faz.
Eu, talvez por educação familiar e também por ter estudado num internato, os Pupilos do Exército, sempre lidei muito bem com a nudez. Em minha casa a nudez não era problema. Não eramos praticantes de nudismo nem nos passeávamos nus pela casa fora, mas se por acaso acontecia cruzarmo-nos em pelo, não tínhamos qualquer problema com isso. No Pilão, claro está, salvo raras excepções, eu não conheci nenhuma, também ninguém era pudico a ponto de não se despir perante os outros. Na piscina, onde nado quase todos os dias, aparece de tudo. Desde aqueles que já vêm de casa com o fato de banho vestido e que tomam duche com ele, até aos que quase se escondem para trocar a cueca pelo calção de banho e também os completamente despudorados que se passeiam mostrando e alardeando todos os atributos. O certo é que quase todos dão as tais miradas talvez para fazerem comparações de “armamento”. Umas vezes ficarão basto satisfeitos outras tristes. Comparações para quê? Sempre se disse que os homens não se medem aos palmos e muito menos a centímetros. Aliás os centímetros não têm qualquer influência, pois o que é preciso é que os ditos centímetros, sejam alegres, brincalhões, eficazes e muito cumpridores como dizia o espanhol. A propósito, lembro sempre aquela anedota do tipo que vai “às sortes” e na Inspecção não se quer despir porque tem vergonha. O médico presidente da junta, chama o alferes médico dizendo-lhe:
“ Você, que é quase da idade daquela mancebo, vá lá falar com ele e diga-lhe que tem de se despir, pois se não o fizer é dado como refratário e vai ter problemas” O jovem médico vai lá e pergunta-lhe:
“Então pá despe-te lá, não tenhas vergonha, somos todos homens, não há razão para tal.”
O rapaz lá acaba convencido e despe-se. O médico olha para ele e diz:
“Coitado. tens razão. Não tens “pilinha”. Responde o moço:
Não, não Senhor Dr. Está enganado. Eu não tenho é a perna esquerda”.

Ora aqui está um, que bem gostaria de trocar aquele “mastro” do tamanho de uma perna, por uma perna verdadeira e um artefacto mais maneiroso mesmo de poucos centímetros.
Acho pois que a nudez não deve ser problema. Não me lembro de ter nascido vestido e hão-de me despir para me lavarem quando for para a cremação. Aliás o Adão e a Eva andavam nus e não se importavam nada com isso até darem a dentada no tal fruto proibido, não sei porquê, a maçã até é um bom fruto e faz muito bem, e só depois tiveram vergonha, também não sei de quê, porque se andavam antes porque não depois.

A educação judaico-cristã foi a culpada da associação da nudez ao sexo, considerando este pecado, também não sei porquê quando o sexo é uma coisa tão boa, tão salutar e natural. E assim nascem os costumes bem estúpidos, como por exemplo em certas comunidades dos Estados Unidos, onde a maioria dos pais, a partir de certa idade, já não beijam nem abraçam os filhos, por os contactos poderem vir a ser tomados como possíveis atitudes de cariz sexual. Nada mais ridículo que ver um pai a apertar a mão a um filho. Não há pachorra para tanta estupidez. Eu até curto muito a nudez, principalmente a feminina quando os corpos são esculturais. Devia era ter ido para escultor. Não há mesmo pachorra…

domingo, 24 de novembro de 2013

O Natal de um ateu


Se tivesse netos contava-lhes a história do Natal. Parece incongruente? Talvez seja. Claro que lhes contava a história, como aquilo que é, apenas mais uma história como a da Branca de Neve ou A Bela Adormecida. Se lhes contamos histórias de fadas e duendes porque não contar aquela também? É uma história bonita para crianças e serve para aceitação da festa tradicional portuguesa da ceia e das prendas. Claro que omitia a divinização da criança bem como as partes sórdidas da matança das criancinhas ordenada pelo Herodes. Episódios desses não se contam a ninguém quanto mais a crianças. Coitado do Herodes que tinha muito mais com que se preocupar do que ficar bravo por lhe irem dizer que tinha nascido o rei dos judeus. As doenças de que sofria já seriam suficientes para o manterem preocupado e um rei nascido no momento só lhe poderia fazer mossa muitos anos depois e já estaria finado. Também ninguém acredita que naquela terreola, à época, houvesse 300 recém-nascidos. Aliás, Herodes nem teria vivido nesse tempo pois o frade Dionysius, o exíguo (parece que era muito pequeno, mas versado em matemática e astronomia), enganou-se em quatro anos ou mais na data do nascimento de Jesus. Como sabem, só em 1582 (15 de Outubro), penso eu, o papa Gregório 13º adoptou este calendário, em substituição do calendário de César (chamado calendário Juliano). Aquele senhor frade calculou, e parece que mal, a data do nascimento de Cristo (527). Se recuarmos no tempo, o ano um do nascimento iria dar a um ano do calendário juliano em que Herodes já tinha morrido há 4 anos. Reparem que falo no ano um e não no ano zero. Nada começa por zero e as décadas começam em 1 e acabam ao fim de dez, os séculos ao fim de cem e os milénios ao fim de mil. Por isso é que só mudámos de milénio em um de Janeiro de 2001 e não em 2000.
Bem, acabei por me afastar daquilo que pretendia dizer. Apesar de o meu Pai ter sido um agnóstico, nunca se opôs a que me educassem na religião católica. A mim impingiram a divinização de Jesus e que todos os 25 Dezembro o menino descia as nossas chaminés e deixava as nossas prendas. Com a verdade apanhei um dos primeiros desgostos da vida. Não faria isso aos meus netos. Mas, o Natal é uma festa bonita e familiar, antigamente mais santificada, hoje mais comercializada e menos tradicional. Até substituímos o menino Jesus por aquele velho ridículo das barbas brancas, tradição dos países nórdicos adoptada pelos protestantes, luteranos e quejandos que nada têm a ver connosco. Apenas uma pequena percentagem da nossa população, principalmente a não urbana, assiste à missa do Galo após a ceia. Os restantes limitam-se a reunirem-se à mesa, comendo e bebendo após que, nem aguardam pela meia-noite, abrem as prendas, que já há muito esperam junto da árvore de Natal, outra tradição não nossa, e que entretanto já despertaram a curiosidade das criancinhas que só não as abriram antes com receio da reacção paterna. Mas continuo a dizer que a história do presépio é bonita e serve para justificar a festa. É uma mentira que vale a pena… Como não tenho netos, normalmente passo o tradicional jantar de 24 à noite, em casa de uma familiar da minha mulher onde há montes de criancinhas e é uma alegria vê-los a abrir e distribuir prendas uns pelos outros. Eu, aproveito para beber uns copos e exagerar nos doces, já que nos outros dias a minha mulher me “xinga” sempre que tento dar uma dentadinha no “pecado” adocicado, não vá a glicemia aumentar.
Venha pois mais um Natal para gáudio de criancinhas, acreditadores e gulosos.