terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O Futebol


Deve haver poucos homens que não gostem de futebol. Muitas mulheres também gostam, mas em menor número. Um bom joguinho visto na TV, no remanso do sofá, com uma bebida ao lado, é descansativo. Então se o clube da nossa preferência jogar bem e ganhar, muito melhor. Disse jogar bem e ganhar pois são coisas diferentes. Às vezes joga-se mal e ganha-se outras joga-se bem e perde-se. São as contingências do jogo com os seus imponderáveis. Outras vezes o árbitro julga mal um lance e lá vai o resultado para o “bé-lé-léu”. O pior de tudo isto são depois os comentários e os julgamentos. Dirigentes perdem as estribeiras e dizem cobras e lagartos na TV. Adeptos, principalmente das malfadadas claques, levam para os recintos desportivos todas as tensões acumuladas durante a semana pelas contrariedades sofridas e extravasam, normalmente com agressividade, todo o seu amargo de boca pelas derrotas que não “engoliram” por o seu clube ser sempre o melhor e nunca merecer perder. Pior ainda são os dirigentes que depois atacam o clube contrário esquecendo-se das atrocidades dos do seu próprio. Mas muito pior do que tudo é ver amigos, com obrigação de discutirem com acerto as suas divergências, pela sua condição de homens com cultura acima da média, com profissões, actuais ou passadas, já evoluídas, discutirem de tal maneira acaloradamente defendendo os seus clubes contra tudo e contra todos, de forma tão efusiva, que roça as raias da violência. Vejo no facebook diálogos tão estupidamente idiotas, que me dá vontade, de pegar num látego e zurzi-los até ficarem com os “assentos” em brasa. Assim, mesmo que quisessem, já não poderiam sentar-se a ver a bola. Parece mesmo impossível, não há pachorra para tanta estupidez. Defendem mais os dirigentes dos seus clubes do que naturalmente defenderiam os seus parentes directos. Os árbitros são todos uns corruptos mas, só corrompidos pelos clubes dos outros. Os jogadores dos seus clubes são uns santos e os dos outros uns demónios à solta pelos estádios. Não há mesmo pachorra.
Já agora, também uma palavrinha para aquele triste espectáculo de ver jogadores ao entrarem no campo, benzerem-se ou erguerem as mãos para o céu a pedirem as bênçãos dos seus deuses, para que tudo lhes corra bem, para que ganhem, para que não se lesionem, etc., esquecendo-se que para eles ganharem os outros têm de perder e que os adversários também podem lesionar-se, mas aí já não faz mal, é menos um no próximo jogo, mas os deuses deles são os mesmos… Esquecem-se também, que os deuses não jogam futebol e se estão nas tintas.

Que tristeza. Ah! Já agora… VIVA O BENFICA. Eh! Eh! Eh!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Casa dos Segredos


Parece-me inconcebível como uma estação de TV consegue produzir e transmitir durante meses um programa como a casa dos segredos. Aquilo não é um programa de televisão, aquilo é um atentado à paciência de qualquer pessoa com dois dedos de testa. Mas o certo é que tem audiência e eu mato a cabeça a pensar que tipo de pessoas perde tempo a ver tal coisa. Deve ser o espírito voyeurista do povão. Falo nisto porque no facebook, o humorista Nilton resolveu colocar um vídeo sobre um teste cultural feito nessa aberração de programa. Os concorrentes vão entrando um a um numa espécie de cabine telefónica onde, uma voz “off” lhes coloca algumas perguntas. A uma loira sofisticada com aspecto de “stripper” da dança do varão de um bar rasca, a tal voz coloca-lhe a seguinte pergunta: “ Qual é a capital da Geórgia?” E, vai daí, aquela cabecinha oca responde: “Hamburgo”. Caramba! Isto não se faz a ninguém, perguntar uma coisa destas a um ser daqueles. Claro que a pequerrucha deve pensar que em Hamburgo nasceram os hamburgers e que os ditos só podiam ser originários da Geórgia. Realmente Tiblissi não é propriamente uma das cidades mais conhecidas e haverá certamente muito erudito que talvez também não conseguisse responder. Agora, Hamburgo?!?! A senhora Merkel que provavelmente passará algum tempo do seu merecido descanso a ver o “excelente” programa da TVI, deve ter dado um salto de corça, bem… talvez mais de fêmea do alce. Ainda se a pequena tivesse visto o filme “E Tudo o Vento Levou” podia ter respondido Atlanta, sempre fica na Geórgia, estado americano (USA) é certo, mas sempre tinha dito qualquer coisa não muito cavalar. E daí talvez até nem fosse capaz de ligar Atlanta ao filme, pois do mesmo só deve lembrar-se do Rhet Butler (Clarck Gable) a levar a Scarlett O´Hara (Vivian Leigh) escadas acima, até ao quarto, para lhe dar… para lhe dar… bem, não sei, deve ter-lhe dado alguma coisa boa porque ela acorda feliz no dia seguinte. Essa cena ela devia ter fixado, agora que a guerra civil andou lá por Atlanta, aí já não sei se aquela cabecita teria fixado tal local.
Mas não ficou por aí, porque a tal voz em “off” faz-lhe segunda pergunta: “Qual é o maior continente?” Aí aquela linda boca bem pintada, abriu-se em enorme sorriso e responde sem hesitar: “Os Açores!”. Não sei se pela resposta se pela cara aparvalhada do Nilton, acabei rindo a bandeiras despregadas. E a voz pergunta: “Os Açores? Porquê?” E a nossa bela concorrente, senhora do seu nariz e quase ofendida por colocarem em dúvida os seus conhecimentos culturais, responde já em tom agastado: “Está-se mesmo a ver. O Continente é só um e os Açores são sete”. Sete? Ainda se fossem 9, teria acertado no número de ilhas. A rapariga saberá o que é um continente? Qual será o nível de instrução desta gente? Pobre país que tais filhos tem.

Por um lado, este bocadinho, até me foi benéfico porque me deu para rir que nem um perdido, mas por outro fiquei triste por tanta ignorância. Porque não respondem “não sei”? Ficava-lhes menos mal e não se davam ao ridículo. Se os concorrentes fossem evoluídos a estação não os seleccionaria. O que eles querem é mesmo incultura e javardice. Dá mais audiências. O povo é que assim não aprende nada…

domingo, 18 de janeiro de 2015

Uma outra forma de vida?


Porque é que não somos todos azuis? Ou mesmo cor-de-rosa que é mais simbolicamente feminino e, portanto, mais dedicados à fertilidade? Porque é que não há um só deus? Ou mesmo deus nenhum? Seria que o ser humano deixaria de se guerrear? Hum… ainda ficavam muitas clivagens. Mesmo azuis e ateus ainda tínhamos que ter os mesmos hábitos. Ninguém gosta que o vizinho asse sardinhas à porta da sua casa. Também não são suportáveis fogueiras no “hall” de entrada. Teríamos que ter uma educação concertada e única. Não podíamos ter também objectos caseiros, carros e roupas diferentes para não suscitar as invejas. Ah! E melhor! As mulheres teriam de ser todas bonitas e “boas”. Em contrapartida os homens teriam de ser tipo Cristiano Ronaldo. Bem, ainda restava a maluqueira no cérebro humano, teríamos de pensar todos da mesma forma. E não precisávamos de governo para nada. Todos saberíamos como nos comportarmos e todos pagaríamos a mesma quantidade de impostos. E entregávamos a administração a quem? Bah! Que porcaria de vida estou para aqui a inventar. O melhor é continuarmos a ser todos diferentes, invejosos, intolerantes e completamente malucos, corruptos, inconstantes, infiéis e Charlies. Matamo-nos muito mas somos mais divertidos. Viva a porcaria de vida actual…

Pois é, apesar de tudo acho que o interesse está nas nossas diferenças. O mal está na ganância. Ganância dos dirigentes em quererem viver em países que lhes permitam adquirir estatuto e bens materiais. Ganância das pessoas que querem viver bem sem ser à custa do esforço com o trabalho. Deveríamos viver sem nos preocuparmos com aqueles que muito têm e, talvez preocuparmo-nos mais com os que têm pouco ou nada mas, para poucos terem muito, muitos têm de ter pouco e até nada. Parece que há países que conseguiram acabar com os pobres sem se terem preocupado em acabar com os ricos. Só que, a esses ricos, eles exigem muito em termos de pagamentos ao Estado para apoio social. Só que esse apoio não é para os que nada fazem ou produzem. Como se consegue um Estado assim? Serão esses todos azuis ou ateus? Não, acho apenas que são educados. A educação é a chave de tudo. Aposte-se em educação e a vida será melhor. Produza-se o suficiente para viver. Eduque-se de modo a que não se queira viver com demasiados bens. Limite-se o lucro para evitar excessos de produção que conduz ao consumismo e este a lucros exagerados. Pois, mas lá vem o chavão, isso é comunismo, é limitar os mercados, é coarctar a iniciativa privada. Ai é? Então está bem, vivam como querem e continuem a matar-se. Continuem a explorar os povos, roubem-lhes as matérias-primas e criem guerras quando esses povos não acederem as vossas vontades. Produzam demais, causem poluição, deitem fora montes de coisas boas mas ultrapassadas, esgotem recursos, dêem cabo da atmosfera, escavaquem o planeta. Voltaremos às cavernas e começaremos tudo de novo… Por mim tudo bem, até gosto de caçar… se ainda houver bichezas para o efeito.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Curiosidades sobre o estabelecimento do calendário Gregoriano


Sabem o que isto é?

 “Int(DifData("d";[Datanascimento];Data())/365,25)”.

Isto é uma instrução de VBA (visual basic for aplications) que é usada num campo que mostra a idade de qualquer individuo dentro de uma base de dados.
Int = nº inteiro; DifData = Diferença de datas; “d” = em dias; [Datanascimento] = A data de nascimento do indivíduo - Data() = Data actual (hoje); / = dividir; 365,25 = ano.

Então se o ano é de 365 dias porquê 365,25?

A resposta está aqui:


Pois é, os matemáticos não conseguiram arranjar um ano inteiro com o nº de dias que correspondesse exactamente ao período de translação da terra e, assim, arranjaram este esquema de anos bissextos de 4 em quatro anos e todos os que forem divisíveis por 400. Em 1582 o Gregório 13º, para acertar agulhas mandou tirar 10 dias ao mês de Outubro de 1582 pelo que o dia seguinte a 4 de Outubro passou a ser 15 de Outubro de modo a que o calendário acertasse com as estações do ano. Vários países não católicos, como os ortodoxos e os protestantes, só alguns anos mais tarde adoptaram o calendário Gregoriano (era de Cristo) e andaram a reger-se por calendários diferentes. A título de curiosidade, a Inglaterra só alterou o seu calendário em 1752 e a maioria dos ortodoxos só no início do século XX.
Segundo Umberto Eco no seu livro “O Pêndulo de Foucault”, foi devido a este desfasamento de calendários que os Templários não se reuniram nesse ano e nunca mais conseguiram encontrar-se. Os tipos tinham um plano para dominarem o mundo e na reunião seguinte combinavam a próxima assim como o local da mesma. Ora uma das reuniões calhava entre 4 e 15 de outubro e foi a confusão total. Nunca mais conseguiram combinar outra. Ainda bem, mas agora estando mais divididos em várias seitas, maçónicos, rosa cruzes, Opus Dei e quejandos, continuam a tomar conta disto tudo.
Vejam, portanto, o que os desgraçados dos informáticos têm que suar as estopinhas para arranjarem fórmulas que dêem exactamente a idade de cada um antes o dia do aniversário e depois do dito.
Façamos votos para que isto agora esteja bem calculado e não haja mais alterações ao calendário, não vá eu faltar a alguma almoçarada combinada com os amigos.
Hoje, último dia do ano deu-me para isto. E, no ano que entra amanhã, não combinem nada para 29 de Fevereiro, porque esse só vem em 2016.


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Meus Amigos


Vou-me deixar de mensagens políticas ou que tenham algo a ver com política. Tive a minha quota-parte no 25 de Abril. Arrisquei a carreira e a liberdade em reuniões “conspiratórias” em Moçambique em Fev/Abr de 1974, junto com Gabriel Teixeira, Aniceto Afonso, Mário Tomé, só para citar os mais conhecidos. Depois do 16 de Março íamos perdendo a cabeça e isso só não aconteceu porque entretanto “sabíamos” que por cá os nossos camaradas estavam atentos. Esperámos e o 25 de Abril deu-se. Foi uma alegria imensa e rejubilei. O País ia mudar e os homens também. Esperei que se desse um salto enorme na qualidade da educação e nada se deu. Com a liberdade veio a ganância de quem nada tinha e tudo passou a querer. Vi como a partidarização das Forças Armadas dividiu os meus camaradas. Os militares em vez de um corpo único passaram a ser de esquerda e direita. Vi prisões e saneamentos em ambos os lados. Vi políticos a tudo fazerem para se assenhorearem do poder. Fiquei mais sossegado quando as coisas serenaram um pouco. Votei socialismo porque acreditei que era o sistema que se coadunava com a minha maneira de ser mas, cedo perdi as esperanças. Vi os partidos políticos a olharem apenas para o seu umbigo em detrimento dos interesses nacionais. Vi os políticos contra os que lhes deram a liberdade e os colocaram no poder. Todos os políticos se revelaram corruptos ou desonestos. Quando não corruptos foram desonestos, pois não tiveram coragem para colocarem o estado ao serviço dos portugueses antes se servindo do estado, engordando-o, para conseguirem as benesses para si e para os seus correlegionários. Os portugueses infelizmente vêem a política como o futebol. Os dos seus clubes nunca metem golos fora de jogo, nunca cometem penaltis e as faltas cometidas são festinhas comparadas com as dos adversários. Com o seu partido e com os políticos do mesmo, actuam da mesma forma. São óptimos, não corruptos e abnegados pelas causas nacionais. Os outros é que são os bandalhos.
Não me revejo neste regime e gostava de viver num que não tivesse partidos a governar. Gostaria de o regime fosse Presidencialista com governos tecnocráticos da sua responsabilidade e seria apenas o PR a responder perante os portugueses. Os partidos ficariam no parlamento a fazerem e votar leis que nascessem de baixo para cima e não elaboradas por gabinetes de advogados. Na constituição deveriam ser incluídos mecanismos para que o povo que elege possa também demitir caso o PR se afaste do programa eleitoral que apresentou aos portugueses. Não vejo aparecer nenhum movimento político que possa advogar esta alteração de regime e se algum dia isso acontecer já não estarei cá ou não terei forças para participar. Sou um pouco ingénuo na apreciação daquilo que se escreve e diz pois nunca vejo as más intenções subjacentes. Tenho amigos de várias tendências políticas e não me quero aborrecer com eles, portanto a política para mim acabou. Vou continuar a ler, escrever, contar anedotas, ir ao cinema, comer coisas boas e beber uns copos enquanto estes energúmenos me deixarem alguns tostões. Os meus AMIGOS que me desculpem se por acaso, na minha ingenuidade, alguma vez fui ao desencontro das suas convicções. Não foi com intenção, apenas retransmiti aquilo que por aqui aparece. Agora, nunca mais.


Abraços fraternos para todos.

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Meu Tio



O meu tio faleceu. Vai fazer-me falta. Mais novo onze anos que o meu pai e mais velho que eu apenas dezassete. Lembro-me dele desde sempre. Cursou a escola náutica e saiu radio-telegrafista da mercante. Recordo, eu muito pequeno, de o ver pela casa da minha avó, de telégrafo a pilhas na mão, infernizar-nos o juízo com os ti-ti-ti constantes dos pontos-traços que treinava constantemente. Especializou-se em radares e, mais tarde, ingressou nos quadros da SOPONATA chegando a 1º Telegrafista dos superpetroleiros que o levaram a todas as partes do mundo. Cedo começou a namorar uma rapariga linda e com ela casou. Era a minha tia mais bonita e muitas vezes a levei ao cinema fazendo um vistaço entre os meus amigos. Quando o meu tio andava no mar não tinha com quem sair e o sobrinho fazia-lhe companhia porque as filhas andavam a estudar. Nos meus tempos de Escola do Exército, hoje Academia Militar, andava sempre “liso” pois a mesada do pai era curta e acabava depressa. Lembro-me de alguns fins-de-semana, quando não ia a casa, não ter dinheiro para o almoço e telefonar à tia pendurando-me para o dito: “ Só se depois levares a tia à matiné” dizia ela. Claro que nem hesitava. Eram dois coelhos numa cajadada, almoço e cinema. Durante alguns anos não convivi com eles porque o meu tio aceitou um lugar em Santa Maria nos Açores. Depois a minha vida militar também me afastou mas, nos intervalos, nunca deixei de os visitar. Inclusivamente foi da casa deles que saí para o meu casamento, por ser em Lisboa e eu morar no Cacém.

Em julho passado o meu tio tinha feito noventa e cinco anos. Já andava com alguma dificuldade, mas mantinha uma lucidez invejável. O seu desgosto era já não ver o suficiente para continuar a mexer no computador. Digo mexer porque era o que fazia. Sabia tudo sobre sistemas operativos e tirava, punha, mudava, estragava, tornava a pôr, etc.. Enfim, baralhava e tornava a dar. O certo é que sabia muito e até me ensinou alguns pequenos truques. Mexeu naquilo até aí aos noventa e três e, como já esquecia muito, passávamos horas ao telefone para o fazer recordar das operações necessárias. Muitas vezes lá fui a casa, onde vivia com a segunda mulher pois divorciara-se da primeira que mais tarde faleceu, ajudá-lo a refazer sistemas operativos dos seus três computadores, que entretanto estragara por tanto meter e tirar. Neste último ano já vivia numa residencial de apoio. As minhas primas, excelentes filhas, davam-lhe toda a assistência, estando com ele todos os dias. Eu visitava-o também mas não com tanta frequência como gostaria. Estive lá poucos dias antes e ainda me esteve a demonstrar como operava a cadeira de rodas em que se deslocava para trajectos mais longos pelos corredores da instituição. Era o elemento mais antigo da família. Para mim era um segundo pai, ou irmão mais velho que não tive. A minha irmã, dezanove meses mais velha do que eu, está incapacitada e acamada. O decano da família faleceu e deixou-me a substituí-lo. Vamos ver se consigo seguir-lhe as pisadas. Os dois netos, grandes adeptos do “Surf”, vão espalhar as cinzas do avô pelo mar. É uma boa solução para um velho marinheiro. As ondas não o vão afastar da minha memória.

sábado, 15 de novembro de 2014

Israel, um estado construído por direito divino.


De um amigo Pilão recebi um mail com este link:


É realmente impressionante o que os judeus fizeram em Israel, mas não posso deixar de pensar nos Palestinianos.
Nada está historicamente provado da origem do povo judeu. Nem a arqueologia nem os registos egípcios têm qualquer referência ao povo judeu. Portanto, nada se sabe antes, nada se sabe depois. Tudo o que conhecemos é o que vem escrito nos chamados documentos “sagrados”. A Bíblia, supostamente começada por Moisés, personagem cuja existência nunca foi provada, foi depois continuada por escritos de profecias várias que naquele tempo proliferavam, dizem. Claro que esses escreviam aquilo que lhes interessava fazerem crer. Como nada está registado, não se sabe quem governava o Egipto no tempo em que as escrituras referem o êxodo. Atribui-se, sem qualquer confirmação, que seria Ramsés II, no entanto, nada na história da governação desse faraó, nem na arqueologia, há referências a esse povo. Há, no entanto, indícios de várias tribos escravizadas e, provavelmente a tribo dita judaica seria uma delas. Há quem refira que essa tribo foi uma das que não aceitou o regresso ao politeísmo aquando da morte de Aquenáton (Amenófis IV, foi Faraó da XVIII dinastia do Egito) que assim passou a chamar-se por ter determinado que no seu reino só se adoraria um Deus, Aton o sol. Os egípcios adoravam vários deuses e não ficaram lá muito satisfeitos com esta determinação, assim, após a morte de Aquenaton, tudo voltou à mesma com seu filho Tutancamon, que morreu cedo. Há pois defensores de que a tribo “judaica” continuou monoteísta e devido a essa teimosia foram dominados e escravizados. Mas tudo isto não passa de conjecturas. O nascimento das doze tribos de Israel formadas pelos doze filhos de Isac filho de Abraão, também são referências bíblicas não confirmadas. Aliás Abraão seria Caldeu pois teria nascido em Ur na Mesopotâmia. Teria sido também do seu filho Ismael que nasceria a religião dos muçulmanos. Assim sendo seriam duas religiões irmãs e deveriam dar-se bem. Pois sim…
Não podemos pois tomar como certas as “histórias” da fuga do Egipto e da chegada à terra prometida, quanto mais acreditar naquela balela da travessia do Mar Vermelho.

A divisão dos reinos]

Com o descontentamento constante das tribos sob o domínio de Salomão, o reino se divide em duas partes sob o governo do filho de Salomão, Roboão. Dez Tribos se rebelam contra impostos cobrados por Salomão e reivindicam a Roboão negociá-las. Diante da negativa do jovem rei Roboão, dez tribos se rebelam um formam um reino à parte. Assim, duas tribos ficam com Roboão, continuando Jerusalém como sede do reino (I Reis 12),reino de Judá ao sul e o reino de Israel, tendo Samaria como sede e Jeroboão, como rei. Jeroboão era filho de Nebate, efrateu de Zereda, servo de Salomão (I Reis 11:26; 12:19-20) reino de Israel ao norte. Diversas crises políticas e religiosas acabam levando à decadência dos dois reinos: o reino de Israel é destruído pelos assírios, enquanto o reino de Judá é destruído pelos babilônios. No exílio, o povo israelita começa a tomar consciência do seu papel no "Plano de Deus" e, após alguns anos, retornam para sua terra e reconstroem o Templo, reorganizando suas Escrituras. Com estes fatos encerra-se a história do período das Escrituras Hebraicas.
A era talmúdica
Com o retorno de algumas comunidades judaicas para a Judeia, uma renovação religiosa levou a diversos eventos que seriam fundamentais para o surgimento do Judaísmo como uma religião mundial. Entre estes eventos podemos mencionar a unificação das doutrinas mosaicas, o estabelecimento de um cânon, a reconstrução do Templo de Jerusalém e a adoção da noção do "povo judeu" como povo escolhido e através do qual seria redimida toda a humanidade.
A comunidade judaica da Judeia cresceu com relativa autonomia sob o domínio persa, mas a história judaica tomará importância com a conquista da Palestina por Alexandre Magno em 334 AC. Com a morte de Alexandre, o seu império foi dividido entre seus generais, e a Judeia foi dominada pelos Ptolomeus e depois pelos Selêucidas, contra os quais os judeus moveram revoltas que culminaram em sua independência (ver Macabeus).
Com a independência e o domínio dos Macabeus como reis e sacerdotes, surgem as diversas ramificações do judaísmo da época do Segundo Templo: os fariseus, os saduceus e os essénios. As diversas intrigas entre as diversas divisões do judaísmo levou à conquista da Judeia pelo Império Romano.”
Isto é o que refere a Wikipédia.
Daqui se infere que naquele tempo a Palestina era uma grande “salsada” habitada por imensas tribos semitas entre as quais as de Judá e Israel que afinal se separavam como fariseus, saduceus e essénios.
A diáspora.
De acordo com a Bíblia, a Diáspora é fruto da idolatria e rebeldia do povo de Israel e Judá para Deus, o que fez com que este os tirasse da terra que lhes prometera e os espalhasse pelo mundo até que o povo de Israel retornasse para a obediência a Deus, onde seriam restaurados como uma nação soberana e senhora do mundo. De acordo com a Moderna Historia, a diáspora judaica aconteceu pelo confronto do povo judaico com outros povos que desejavam subjugar sua cultura e dominar o seu território.
Geralmente se atribui o início da primeira diáspora judaica ao ano de 586 A.C., quando Nabucodonosor II — imperador babilônico — invadiu o Reino de Judá, destruindo a Jerusalém, e o Templo; e deportando os judeus para a Mesopotâmia. Mas esta dispersão se inicia antes, em 722 A.C., quando o reino de Israel ao norte é destruído pelos assírios e as dez tribos de Israel são levadas como cativas à Assíria e Judá passa a pagar altos impostos para evitar a invasão, o que não será possível negociar com Nabucodonosor II.”

Mais uma vez recorri à Wikipédia para que se perceba a diáspora do povo hebraico. Confrontos, escravidão, subjugação de uns povos aos seus conquistadores, provocaram grandes diásporas na história. Na Palestina só os não judeus ficaram, não sei o porquê, talvez os nossos mestres em história me possam colmatar esta minha ignorância. No entanto, penso que foi a religião que os juntou mas também que os fez fugir e separarem-se. A sua religião e o isolamento a que foram sujeitos nos países de acolhimento, fê-los dedicarem-se ao estudo, à cultura, e a criarem um espírito de obtenção de riqueza que lhes desse um “status” para se imporem num ambiente hostil. Essa forma de vida tramou-os. Hitler não viu com bons olhos tanta acumulação de proventos num povo que dizia ser impuro. Seis milhões de judeus foram mortos e muitos outros tiveram de deixar os países onde se encontravam.
Após a segunda guerra mundial muitos começaram a dirigir-se à Palestina governada pelos Ingleses. Aí iniciaram uma campanha recorrendo muitas vezes a actos de terrorismo para tentarem que lhes fosse reconhecido o direito de ali viverem num estado independente. Em 1948 a ONU deu-lhes esse direito. Em Janeiro de 1948, Ben Gurion, um judeu polaco e comunista que muito cedo se refugiou na Palestina, depois de ter comandado muitas acções contra os Ingleses tornou-se o primeiro presidente do novo estado de Israel. Para os Palestinianos das outras tribos, agora muçulmanos, que nunca de lá saíram, começou o infortúnio.
Não sou historiador. Tudo o que para aqui escrevi é capaz de enfermar de muito erro. Por isso peço desculpa. Nada me move contra os Judeus, povo ao qual reconheço, inteligência, cultura, determinação e dinamismo, mas não aprovo que façam aos verdadeiros senhores daquela terra o que os outros povos lhes fizeram a eles. São diferentes? Pois são. Não são tão trabalhadores? Talvez não sejam, mas nunca beneficiaram das fortunas acumuladas por muitos judeus de diversas partes do mundo, principalmente dos USA e têm todo o direito de ali viverem. Se a ONU criou um estado de Israel, porque não teve o cuidado de criar outro para os palestinianos? Por serem muçulmanos? Ah! Deve ser por isso. São infiéis.