segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Papa Francisco


Lembro-me do padre que dava religião e moral, no Pilão, antes do padre Rui, não lembro agora o nome, talvez Gomes (?), fazer descrições terríveis do inferno. Eram tão aterradoras que Dante, certamente, ficaria arrepiado ao “ouvi-las”. Dizia ele que no inferno só havia trevas e chamas e a minha cabeça pagou caro ter-lhe chamado a atenção que ao pé das chamas não poderia haver trevas. O ponteiro, com a parte grossa virada para a frente, quebrou-se na minha pobre “tola” com grande vigor. Intimamente chamei-lhe aqueles “nomes” que normalmente usávamos para tal gente. Vem esta evocação a propósito das recentes declarações do Papa Francisco de que não há chamas no inferno e que as figuras de Adão e Eva descritas no Génesis, não são reais. Sendo totalmente contra à classe sacerdotal, sejam os de alá, deus, Jesus ou quaisquer outros, admiro a coragem deste padre que, contra a ortodoxia da igreja, vem desmistificar certos dogmas que até aqui eram, pela hierarquia das igrejas, considerados imutáveis.
Só quem não leu a bíblia, com olhos de ver, é que consegue acreditar em tais patranhas. Qualquer cérebro, mesmo de funcionamento mediano, “vê” a incongruência da coisa. Mas, o que me admira no meio de tudo isto, são certos indivíduos, que deveriam ser inteligentes, pela educação recebida, que se abespinham todos contra o Papa Francisco, por fazer tais declarações. Vejam-se as opiniões expressas no Facebook.
Tais opiniões fazem-me lembrar os tempos da idade média, em que a igreja proibia, excomungando, e às vezes “fritando”, todos os que se armavam em exegetas e opinavam sobre o conteúdo do chamado livro “sagrado”. Naquele tempo a Hermenêutica não era ciência que pudesse sair da área da igreja. Ainda bem que, felizmente, aparecem indivíduos como este Papa, para que as nossas criancinhas não sejam educadas a acreditarem em parvoeiras tais como, céu, inferno, purgatório, limbo e outras que tais, como mulheres a engravidarem aos 90 anos e tipos a viverem até os 900, outros a fazerem parar o sol e alguns a terem a coragem de imolar os próprios filhos, em louvor do seu deus. Haja esclarecimento e decência.


terça-feira, 26 de julho de 2016

A Vingança dos Deuses



Como sabem eu sou ateu e, como ateu, tento desmistificar todas as religiões. Mas, aceito-as. Quando digo aceitar é não ostracizar quem as segue e as professa mas, no entanto, não desisto de apresentar os argumentos que penso serem suficientemente evidentes para as colocar no lugar que elas devem ter, isto é, crenças arreigadas pela interferência familiar na infância, depois “enformadas” nos cérebros pelas catequeses ou madraças. A ideia de deus nasce da ignorância. Tudo o que era desconhecido era atribuído a poderes sobrenaturais e aí nasceram miríades de deuses com as diferenças entre eles tal qual as diferenças dos povos que os imaginavam. Deus é um produto da imaginação dos homens. Sem homens não havia deus. Durante os milhares de anos em que não havia homens deus não existia. Aliás, mesmo existindo homens, se estes não tivessem pensamento, deus não existiria também. Os diferentes deuses criados pelo homem sempre se combateram como o homem sempre se combateu. Deus serviu para que algumas elites conseguissem o poder, criando, “mandamentos” que atemorizassem os homens que, tendo consciência da morte, achavam que se deveriam perpetuar para além dela. Essas elites transformaram-se em “igrejas” e estas criaram os seus sacerdotes que até aos nossos dias vão mantendo o poder de “salvar” ou condenar almas aproveitando os medos e superstições. Para atemorizarem os incautos, os deuses foram-se tornando cada vez mais despóticos e cruéis, condenando e eliminando com cataclismos terríveis quem fugisse às suas leis. Quando os homens começaram a “fugir” a esse deus colérico, os sacerdotes tentaram encontrar formas de que os seus deuses mandassem à terra os seus “filhos” que, como deuses enviados, seriam redentores de todos os pecados humanos, pregando uma “salvação” na vida eterna. Assim surgiram ao longo dos tempos, formas antropomórficas de deuses, tais como Hércules, Mitra, Krishna, Jesus, etc… Todos esses deuses “viveram” pouco tempo e todos eles “morreram” de forma violenta. Todos tiveram uma história idêntica, nascendo de “virgens”, no solstício de inverno, pregando o bem, renegando o mal e advogando a pobreza pois assim davam aso a que os seus sacerdotes e, os governantes a quem apoiavam, pudessem usufruir da riqueza que os outros criavam e depois desprezavam. Esses deuses, não passaram de semi-deuses. Parto a cabeça a pensar como é possível aceitar um deus, ser omnisciente, omnipotente e omnipresente, que “faça” um filho numa terrena, para vir em seu nome, tentar fazer o que ele não foi capaz. E depois o que vemos nós? Que fez esse deus homem? Aliás o que faz agora como espírito santo cheio de bondade? O homem continua ignorante, bélico, prepotente e estúpido, mas vai morrer na mesma e por mais que se entregue nas “mãos” de deus não encontrará nada onde se perpetuar. Por mais manifestações antropofágicas nas igrejas, comendo o corpo de deus e bebendo o seu sangue, nunca conseguirá atingir um limbo quanto mais um paraíso. Pó e apenas pó se tornará.
Tudo isto vem a propósito dos recentes atentados que grassam por essa Europa fora. Aproveitam as diferenças religiosas para tentarem justificar estas matanças. Não o façam porque é um erro tremendo. Todos os que praticam estes actos têm apenas motivações políticas ou de vingança pelo que lhes foi infligido pela ganância. É a ganância de poder e bens materiais que leva os povos a guerrearem os outros. Evangelizar? Democratizar? Pois sim! Leiam livros de história, vejam o que foi perpetrado pelos homens desculpando-se com a propagação da fé. Vejam o que os religiosos fizeram, castrando corpos e mentes para conseguirem apaniguados.

Não falem em “guerras” santas. Limitem-se a falar de conquista e de vingança. Os deuses sempre foram muito vingativos.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O Castelo



(Gostaria de ser Kafka para poder escrever sobre Kafka)

Já li tanto e afinal tenho lido tão pouco. Fugi sempre de ler Kafka pela fama que o autor tinha de ser demasiado complexo e difícil. Resolvi ler o Castelo e digo-vos que afinal as opiniões estavam certas. O livro é difícil e difícil é escrever algo sobre ele.
Este livro, sendo de uma escrita corrente e descomplicada em termos de cursividade, é duma complexidade tremenda em termos de conteúdo. Um homem, considerado estrangeiro, por ser de fora, chega a uma terra com uma carta de chamada para exercer a profissão de agrimensor.
K, é esse o seu nome apenas, repare-se na inicial, ao chegar, prepara-se para se dirigir ao castelo, origem da carta que tem no bolso. A partir daqui é colocado perante várias dificuldades de atingir o seu objectivo apesar dos esforços que vai despendendo. Prosseguindo na sua vã tentativa de atingir o Castelo (o poder), vai conhecendo vários habitantes da aldeia que, por um lado, o vão admirando pela sua determinação de lutar contra o poder instituído, mas por outro lado, lhe vão criando imensos problemas, criticando-o por vir destabilizar a forma, acomodada, como viviam sob aquele poder, que respeitavam e até defendiam. Trata-se pois, de poder, do povo sob o mesmo, mas que até o defende por dele depender, e da oposição minoritária, que vai lutando contra tudo e contra todos tentando desmontá-lo, mas que só encontra entraves e desconfiança. Mesmo os poucos aliados que vai conseguindo, por um lado admirando-o pela sua coragem, por outro, criticando-o pela ousadia da sua tentativa que os destabiliza, acabam por o abandonar. O estranho da narrativa, é que toda ela se processa numa dialéctica nada adequada aos personagens, gente pobre de baixas profissões, mas rica e inteligente como se de intelectuais se tratasse. O Castelo, muralha intransponível e inacessível, com os seus senhores, que “despacham”, não em gabinetes como seria de esperar, mas numa pousada “Pousada dos Senhores”, em quartos, com os seus criados, secretários e servidores, todos eles, conhecidos pelos nomes, mas tão distantes e descaracterizados que muitos não os reconhecem, não se relacionam com quase ninguém abaixo da sua condição com excepção de algumas raparigas da aldeia com quem vão mantendo algumas relações, completamente dessentimentalizadas.
A forma como as personagens se relacionam e se entrecruzam, cria um sentimento de repulsa ao leitor a todo o ambiente, percebendo-se que a luta de K. é inglória e que ele próprio se vai acomodando com aquilo que o deixam ser e não com aquilo que quer ser. Enfim, a eterna luta contra um fascismo emergente numa Europa inter-guerras. Uma tentativa do homem contemporâneo em luta pela liberdade e contra os impérios. A influência da literatura de Kafka tem-se estendido a vários autores e em várias épocas. Lembro um, japonês, que admiro bastante, Haruki Murakami no seu “Kafka, à Beira-Mar” sobre o qual escrevi há pouco tempo. Bastante notória é também a influência de Kafka no seu romance “O Admirável País das Maravilhas e O Fim do Mundo”.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sexo na praia


Pois é. Sexo é uma coisa boa. E tão boa é que todos os animais o praticam. Não sei como seria na pré-história. Será que os homens o praticavam em conjunto? Ter sexo em privacidade é bom. Podemos dar largas à imaginação e até portarmo-nos como a bicharada. O homem, como ser inteligente, juntou o sexo ao erotismo e à lubricidade. Fazer sexo ao ar livre é uma libertação e ao mesmo tempo uma aventura. Hoje em dia é perigoso. Há por aí muito tarado que anda à procura dos incautos, não só para vislumbrar, como também para participar se tiver oportunidade. As frustrações que a vida impõe fazem com que nem todos tenham oportunidade para ter sexo livre e consentido. Mas, umas escapadelas dentro da mata ou atrás das dunas da praia dão uma sensação de coisa proibida e, portanto, mais apetecida. A educação judaico cristã, devido ao medo de que o poder das mulheres se tornasse demasiado, fez do sexo um pecado e um tabu, colocando nas fêmeas o odioso, porque elas eram a tentação. Mas os homens, que não resistiam a essa tentação, nunca eram os culpados. As igrejas, principalmente as das religiões do livro, puseram no sexo o estigma do pecado, mas para mulheres e crianças. As crianças nascem do sexo, mas não devem saber que é assim, para só “pecarem” quanto mais tarde melhor. Só que as crianças de hoje estão-se nas tintas para isso e chegaram à conclusão que têm tanto direito como os adultos. Cada vez começam a sua vida sexual mais cedo. Antigamente nós também o desejávamos e só não o fazíamos, e alguns fizeram-no, por medo. Só que hoje o medo deixou de existir e a rapaziada dá largas aos seus gostos eróticos sem obrigação de casamentos forçados e outras parvoíces do género. A grande gaita é que atrás do sexo vem procriação e a maioria dos jovens não pode, nem deve tratar de criancinhas sem ter como os sustentar e educar. Cabe, portanto, aos adultos, em vez de reprimir, informar dos perigos e como os evitar. Nem sequer hoje vale a pena reprimir instintos. Não sei se uma criancinha de seis anos, distraída na praia com os seus brinquedos, deu pelo sexo que a mãe estava praticando com o “namorado, amante, companheiro” ou com o homem com quem vivia. Mas, houve um energúmeno, certamente frustrado ou abichanado, que resolveu fazer um vídeo da cena e ganhar dinheiro com ele. E aí foi um ai jesus, coitadinha da criancinha que teve de assistir a cena tão vil. Certamente a criancinha não terá dado por nada e, se deu, até terá gostado que a sua mãe e o namorado estivessem tão bem e tão carinhosos um com o outro. Tira-se agora uma filha à mãe, talvez por decisão de um juiz que muito gostaria de ter coragem para fazer amor na praia com alguém de quem gostasse. Temos agora várias frustrações: a mãe arrependida do que fez, a criança por se ver afastada da mãe e o padrasto por, num momento de gozo e prazer, ter provocado tudo isto. Pergunto: Não teria sido melhor não chatear e deixado correr o marfim?
Fosse eu juiz e quem ia parar ao chilindró era o maquiavélico “cineasta” amador frustrado.
Ao Juiz que tirou a criança à mãe mandava-o ir para a praia e que se fosse forn**** para outra comarca. Agora podem chamar-me nomes que eu não me importo…


segunda-feira, 13 de junho de 2016

O meu gosto pela música


Normalmente almoço acompanhado, mas de quando em vez faço-o sozinho. Quando assim acontece, aproveito para ligar ao canal Mezzo e acompanhar o repasto com as boas melodias que ali se transmitem.
O canal Mezzo apresenta, muitas vezes, obras tocadas no teatro  Mariinsky, o célebre teatro de São Petsburgo, assim nomeado em homenagem a Maria de Hesse-Darmstadt, Imperatriz Maria Alexandrovna, esposa do Czar Alexandre II. Há um busto da Imperatriz no foyer da entrada principal. Isto da internet é um bilhete de viagem a qualquer lugar.
O maestro Valery Griegiev, amigo pessoal de Putin, foi, e não sei se ainda é, durante muitos anos o seu maestro principal.
Um dos exercícios a que me dedico, é fechar os olhos, e tentar identificar pelo som, os diversos instrumentos que vão actuando. Hoje, ao escutar vários concertos para piano de Sergei Prokofiev, errei várias vezes. Fico danado. Confundir um clarinete com um oboé é coisa imperdoável a quem gosta de música, mas às vezes acontece. Penso que é um problema da idade. O meu filho, 26 anos mais novo do que eu, tem uma memória auditiva que me espanta. Quando não estou certo do nome de qualquer obra musical, ele acerta quase sempre. Claro que tudo isto não passa de manias de velho. Obviamente que não há ninguém capaz de fixar todas as obras, clássicas e não clássicas, que se compuseram e outras que por aí vão aparecendo, mas eu vou tentando.
Nestes concertos transmitidos pela TV, uma das coisas que me espanta, é o conhecimento que o realizador tem que ter, de música, para poder mostrar, em tempo oportuno, o instrumento ou naipe de instrumentos que estão tocando. Das duas uma, ou vão buscar realizadores maestros, ou os tipos têm a seu lado assessores, que em tempo oportuno, lhes indicam qual a câmara que têm de colocar em transmissão. Não me parece um exercício simples, o certo é que vão mostrando aquilo que realmente está acontecendo o que revela uma excelente coordenação.
E agora vou interromper porque vai dar, do teatro “Scalla”, a Missa de Requiem de Verdi, e isso não se pode perder. Sou ateu, mas uma coisa que eu agradeço às religiões são as inúmeras obras de arte que estas influenciaram nos autores artistas, quer na pintura quer na música. Esta obra é uma delas. Já volto...

O requiem acabou. Música fantástica. Entre este e o de Mozart fico indeciso. Talvez o de Mozart seja mais empolgante. Segundo o filme de Milos Foreman, foi António Salieri que ajudou Mozart, no seu leito de morte, a acabar o seu requiem, o que parece não ter sido assim. Foi a própria mulher de Mozart que acabou a obra com ajuda de alunos do marido. António Salieri foi um bom compositor. No filme é mostrado um antagonismo quase feroz para com Mozart. Julgo que nem isso foi verdadeiro. Bem, mas foi o de Verdi que estive a ouvir e não lhe fica atrás. Uns corais fantásticos e uma música vigorosa. Se foi destinada a um defunto, (Alessandro Manzoni) esse não a ouviu, mas os vivos só têm a agradecer. Acabei por deixar arrefecer o almoço e tive de o meter no microondas. Tomei café a seguir como se tivesse saído da sala de concertos em Milão. Talvez Verdi não tenha sido considerado um génio como Mozart ou Bach, mas foi um virtuoso cheio de talento. Para mim foi génio.

sábado, 4 de junho de 2016

Um blog deprimido



Hoje fui visitar o meu blog. Nunca tinha visto um blog tão zangado: ꟷ Que andas a fazer? Não me ligas há montes de tempo. -- Fiquei realmente um pouco constrangido. Um blog chateado com o seu mentor é algo estranho. Mas compreende-se. Ter um blog e não o alimentar deixa qualquer blog depressivo. Mas isto de ter blogues não é fácil. Temos de ter a mente livre e leve para o relacionamento. Se estamos ocupados, pesados, tristes, depressivos ou exacerbados com diversos assuntos, acabamos por nos esquecer daquele blog amigo a quem confiamos as nossas mentes e devaneios. Depois os dias vão passando, vamos ocupando o tempo com outras coisas e o pobre blog lá vai ficando esquecido. Tenho agora uma dívida para com ele. Vou ter de encontrar assunto para o alimentar e contentar. Mas o quê? A política já nada me diz, apesar de agora andar melhor. O António conseguiu uma coisa que eu há muito desejava. Unir os partidos que pugnam realmente pelo cidadão acima do capital. Quando, antes das últimas eleições eu e o meu filho conjecturávamos sobre o que ia suceder após, e ele se mostrava algo desiludido por se prever a nova vitória, mesmo sem maioria, eu dizia-lhe: ꟷ Deixa, pode ser que o PS se una à esquerda. ꟷ Pois. Retorquía ele. ꟷ Parece que não conheces o PS, nunca se uniu à esquerda e esteve sempre mais ao lado da direita. ꟷ Desta vez não vai ser assim. ꟷ Insistia eu. ꟷ  Confio no Costa, vai de certeza arranjar uma alternativa para não permitir a continuação deste desgoverno que nos está a empobrecer. E foi, felizmente. Agora aguardemos, mas tenhamos esperança. E lá acabei eu por falar em política, assunto que cada vez mais me desmotiva. Também ando um pouco afastado das leituras. Ando a ler Kafka, “O Castelo”, mas muito devagar, o que não é meu costume. A leitura não é fácil e deixa-me um pouco deprimido. É uma narrativa, que parece simples, mas tem muito que se lhe diga. A luta de um cidadão contra as normas impostas pelo poder, parecendo simples, é muito complexa e, cria no leitor um desconforto e aversão, não só ao poder, como também a todos aqueles que a ele vivem agarrados e que dele usufruem e criam um clima de oposição aos que se lhe tentam impor por direito de liberdade. Assim, vou fazendo uns intervalos para que a minha mente se livre do clima de hostilidade que vou criando para com aquela sociedade. Quando mais calmo, volto à leitura, mas devagar. De tudo isto o meu blog não tem culpa. Só que é ele que vai ficando abandonado. É ainda o meu “Pilão” que me vai ocupando o tempo. Tratar e manter a base de dados dos sócios, escrever algo para o boletim da Associação, comparecer em alguns dos eventos programados, reunir com a direcção, passar pela sede e apoiar o nosso funcionário.
Bem, como mais nada tenho e já que escrevi este “lamento”, vou coloca-lo no blog. Pode ser que ele me aceite e me vá perdoando a inépcia.


domingo, 6 de março de 2016

Ainda o futebol


Se fosse crente diria: “Meu Deus, porque é que o futebol não é só visto por pessoas educadas, inteligentes e clarividentes?”
Isto a propósito do jogo de ontem entre o Sporting e o Benfica em alvalade. O Sporting jogou mais que o adversário, mas perdeu. E perdeu porque como diz o brasileiro “Futibol é bola nas rede”. E é mesmo, o Benfica não jogando mais, foi mais eficiente e o Sporting, com mais oportunidades, não teve eficiência. E não me venham com “Ah pois, mas rematou aos postes e à trave, etc…” As traves e os postes, assim como o guarda-redes, fazem parte do jogo e umas vezes defendem outras não. “Ah, mas aquele avançado foi travado em falta e o árbitro não assinalou… “. Pois coitados, só os nossos são bons e os outros umas pestes capazes de matar e esfolar…
Estou farto de dizer que isto não tem nada a ver com desporto. Pierre de Coubertin pintaria a sua cara de preto de tão envergonhado que ficaria ao ver como hoje as massas se portam no tal futebol que para mim não é desporto, mas sim confronto entre empresas que ganham e desperdiçam milhões a pagar a artistas, quando pelo mundo fora grassa a fome a e a miséria.
Artistas esses que enfermam muitas vezes do mesmo mal, isto é, mentes mal formadas que, pasme-se, até pedem aos seus deuses que lhes traga a vitória e os defenda dos azares e castigue o “desgraçado” adversário com a derrota e todos os males.
Foi confrangedor ver no final do jogo aquela jornalista, fazendo apenas o seu trabalho, querendo ouvir opiniões e ser confrontada com indivíduos frustrados, mesquinhos e ordinários que, a coberto do anonimato, ao passarem, nos mimosearam com frases vernáculas que qualquer carroceiro do século XIX não diria, com medo de ofender a alimária que à sua frente puxava o veículo garantindo assim o seu modo de vida.
Como é possível? Quase todos nós temos simpatias clubísticas. Quase todos nós gostamos de assistir a um jogo, bem jogado. É bonito ver a evolução e construção de jogadas quando efectuadas com talento e mestria. Mas também nos ficará bem, quando o nosso clube perde ou os jogadores não finalizam como deviam, criticarmos os nossos sem apontarmos culpas para os outros. Infelizmente não é assim. O povo, frustrado pela porcaria de vida que tem, vai para os jogos extravasar toda a sua fúria e deita cá para fora todo o rancor e raiva voltando-se apenas contra os adversários e o árbitro.
Muitas vezes a culpa é dos dirigentes, que durante a semana bolsam barbaridades causando clivagens que as claques continuam nos campos.
É triste. Amigos zangam-se, casais, pais e filhos dividem-se.

Agora vou para o “Facebook” ler as alarvidades escritas por pessoas que tinham obrigação de ter mentes sãs. Vai ser giro, ao menos divirto-me com a tristeza…